AEE | O período de volta às aulas é um momento de transição que gera grandes expectativas. Para as famílias de alunos com Altas Habilidades ou Superdotação (AH/SD), essa fase é marcada por uma intensidade emocional única. A ansiedade e a insegurança de “não se sentir parte do ambiente” são desafios reais que exigem suporte coordenado entre família e escola.
Nesse cenário, o Atendimento Educacional Especializado (AEE) surge não apenas como um direito, mas como a ferramenta principal para transformar o medo do desconhecido em prazer pelo aprendizado.
1. Entendendo a Ansiedade no Superdotado
A ansiedade no retorno escolar para esses alunos não é apenas nervosismo; ela está ligada à sua constituição neurobiológica.
Sobre-excitabilidades: Alunos com AH/SD possuem uma sensibilidade aumentada (intelectual, sensorial ou emocional). O barulho do pátio ou a preocupação com o tédio acadêmico podem ser gatilhos de estresse agudo.
Assincronia: O desenvolvimento intelectual acelerado muitas vezes não acompanha o ritmo emocional. Essa disparidade gera um sentimento de inadequação social frente aos colegas da mesma idade.
2. AEE: O Coração da Inclusão Escolar
É um mito comum acreditar que alunos superdotados não precisam de apoio por serem “inteligentes”. Na verdade, o AEE é fundamental para desmistificar essa ideia e garantir a suplementação curricular necessária.
O que o Atendimento Educacional Especializado (AEE) oferece na prática?
O AEE funciona como um conjunto de atividades e recursos pedagógicos que complementam a formação regular.
Contato com Pares: Nas salas de AEE, o aluno interage com outros estudantes que possuem ritmo e interesses semelhantes, o que fortalece a autoestima e o sentimento de pertencimento.
Enriquecimento Curricular: Em vez de repetir o que já sabe, o aluno é desafiado com projetos de robótica, astronomia, artes ou programação, evitando o tédio e a desmotivação.
Plano Educacional Individualizado (PEI): O AEE utiliza o PEI para mapear os interesses específicos do aluno e criar um caminho de aprendizado personalizado e responsivo.
3. Dicas para Pais: Como Amenizar a Ansiedade
A preparação para a volta às aulas deve começar semanas antes, focando na previsibilidade:
Rotina Gradual: Reajuste horários de sono e alimentação pelo menos 15 dias antes do início das aulas. O descanso é vital para o funcionamento cerebral do superdotado.
Validação de Sentimentos: Ouça seu filho e valide suas emoções. Diga que está tudo bem sentir medo e use o diálogo para transformar o nervosismo em palavras.
Visitas Guiadas: Se houver mudança de escola, solicite uma visita antecipada para que o aluno conheça os espaços e a nova rotina, reduzindo a angústia do desconhecido.
4. Direitos e Legislação em São Paulo
Muitas famílias desconhecem que o acesso ao AEE é um dever do Estado. Em São Paulo, a Resolução SEDUC nº 129/2025 traz diretrizes claras:
Atendimento Imediato: O Atendimento Educacional Especializado (AEE) pode ser iniciado mesmo para alunos em hipótese diagnóstica ou processo de investigação pedagógica. O laudo médico é um documento anexo e não deve impedir o início do suporte educacional.
Profissionais Qualificados: Os professores do AEE devem ter formação específica em educação especial e trabalhar em conjunto com os professores da sala comum.
Salas de Recursos Multifuncionais: Este é o espaço prioritário para a oferta do AEE no contraturno, garantindo recursos pedagógicos diversificados.
Conclusão
A volta às aulas dos alunos superdotados exige um olhar sensível. Ao garantir o acesso ao Atendimento Educacional Especializado(AEE), a escola oferece ao estudante a oportunidade de desenvolver seu potencial pleno em um ambiente seguro e estimulante.
Precisa de orientação? Procure associações como a APAHSD, o NPAS ou a rede RAIS (Unesp) para suporte especializado e troca de experiências entre famílias.
Criadora do Visibilidade AHSD, Talitha Feliciano escreve a partir de um lugar de experiência e empatia. Sua jornada como mãe de um menino superdotado a inspirou a criar uma comunidade de apoio para pais e mães que enfrentam os mesmos obstáculos. Através de seus artigos, ela busca oferecer não apenas informação, mas também acolhimento e força para guiar outras famílias no caminho da superdotação.